quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Descobrindo sua auto estima: parte II


Semana passada falei dos fatores internos que influenciam a auto estima, agora vou falar dos externos.
Grande parte das vezes eles escapam do nosso controle, sendo mais plausível focar em como reagiremos a eles. Dito isso, é possível influenciar e até modificar os fatores externos, só que esse é um processo muito mais trabalhoso pois eles estão diretamente ligados a outras pessoas, organizações, instituições e afins presentes na nossa sociedade.

Eles são:

Social (interação/socialização): família, amigos, parentes, colegas, interações com desconhecidos (na rua, por exemplo), nível socioeconômico, gênero, histórico de vida (infâncias, primeiras experiências, doenças. Nesse aspecto é todo o nosso passado sobre o qual não temos controle e decisão, principalmente vivências na infância)

Cultura: mídia, grau de instrução e conhecimento, experiências de vida, informações, redes sociais.

Atividades/ experiências: profissional, física, acadêmica, padrão alimentar (alimentação)

Ambiental: poluição, bagunça, sujeira, barulho, violência.

Vou explicar brevemente a relação desses fatores com a auto estima da maneira mais didática que conseguir ;D

O fator social diz respeito a tudo que depende de outras pessoas diretamente e que você não controla. Os seus amigos de escola, os seus pais, parentes, etc, não são escolhidos por você e afetam em grande parte a construção da auto estima que começa na infância.

Obs: Claro que podemos escolher quem são nossos amigos, mas eu estou falando sobre aquelas amizades que acontecem por conta de decisões que não foram tomadas por nós diretamente (as que fizemos na escola que estudamos quando criança, no curso de inglês, nas aulas de música....). No geral quando somos crianças tendemos a fazer amizades com as pessoas que estão mais próximas de nós e fazem parte do nosso cotidiano e essas decisões são geralmente tomadas pelos pais sobre quais ambientes frequentaremos.

O gênero: nesse sentido (e pra simplificar) eu estou falando só de sexo ou de determinação biológica (mulher/homem). 
É outra questão de peso, pois é sabido já que mulheres são mais propensas a uma série de transtornos psiquiátricos (como depressão e transtornos alimentar
es) que afetam com a máxima certeza a auto estima. (Se quiser saber mais a esse respeito, basta dar uma buscada rápida no google para ver a quantidade de pesquisas que chegaram a essa conclusão).
Resumindo, sendo mulher você já está sujeita a ter questões com a auto estima, devido a cultura na qual estamos inseridas. Explicarei melhor adiante.

Quanto aos fatores socioeconômicos, entendo que é bem pronunciada a discussão sobre a desigualdade social na sociedade brasileira e sendo assim, pode-se dizer que claramente nascer em uma família rica significa dispor de um mar de privilégios quanto a qualidade da educação proporcionada e a qualidade de vida, comparada ao que significa nascer em uma família da periferia (sobre isso, também existem estudos que mostram que nascer em uma comunidade pobre como uma periferia aumenta a probabilidade de uma série de doenças e também diminui a expectativa de vida.)

A cultura, segundo fator da lista tem um papel enorme em nossa auto estima e a maioria das mulheres (e pessoas) não percebem isso.

Pra ficar mais fácil de entender... Pense que você nasceu em uma casa e que vai passar o resto da sua vida dentro desse lugar. Você até pode se mudar para outra casa, mas ela vai ser igualzinha ou pelo menos muito parecida. E lembre-se, é pra vida inteira.
Agora, pense que você é essa criança e a cultura é essa casa.
Se você nasceu (mulher) em uma casa onde te tratavam mal, diziam que você nunca ia ser bonita o suficiente, que você era gorda demais, feia demais, esquisita demais, burra demais e que ninguém ia te amar desse jeito, como você acha que vai se sentir a seu respeito?
Você cresceu ouvindo e vivendo essa realidade todos os dias da sua vida....
É isso que a cultura faz em grande medida com as mulheres brasileiras (e não só brasileiras, mas estou usando essa referência pois foi onde nasci ;D).

Acha que eu estou exagerando? Tente isso.

Observe os jornais, as revistas femininas (essa aqui é de matar), as novelas, os programas de TV, os filmes, os livros.... onde existam mulheres sendo representadas.
Agora observe bem a maneira que são retratadas. 
Que mensagens estão são passadas? Na maioria das vezes, sinceramente, é a de que somos objetos decorativos.

A mensagem que a mídia nos passa todo dia é clara. Emagreça. Faça plástica. Fique bonita. Faça muito sexo e de prefêrencia pra segurar o macho. Cuidado com as outras mulheres, elas só querem seu mal. 
A imagem da mulher é usada para estimular o consumo, para vender revista, para vender produtos inúteis.
É um tal de vender dieta, moto, carro, apartamento, cirurgia plástica, produto pra emagrecer, maquiagem....de preferência com imagens beirando a pornografia.

Claro que existem exceções que devem ser reconhecidas, mas no geral nós temos um monólogo sendo repetindo constantemente do que é ser mulher. Como deve ser a mulher. Como devemos nos comportar, como devemos nos vestir, como devemos falar......
Temos um padrão de beleza totalmente absurdo que é socado garganta abaixo das mulheres a nossa vida inteira e que começa quando não temos idade pra ter o discernimento pra poder negar isso e trilhar um caminho diferente. Esse é o problema.
Maaas, sem desespero. Tem solução. É possível nadar contra essa corrente e embarcar em um movimento de amor próprio. Só não é sem desafios.
A minha intenção com esse artigo é chamar atenção para todas essas forças invisíveis que estão nos afetando o tempo inteiro, sussurando no nosso ouvido: compre isso, não seja assim, perca peso, alise seu cabelo, seja mais magra, fale mais baixo....
Essas forças podam nossa auto estima pois nos negam a possibilidade de sermos autênticas. Isto é, só se dermos ouvidos.
Sendo assim, digo que é hora de começarmos a negar esse discurso e conquistar nossa tão sonhada auto estima!

Avante mulheres, com coragem!

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