quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Quando a idéia de desistir motiva

desistir
verbo
  1. 1.
    transitivo indireto e intransitivo
    não prosseguir em um intento, abrir mão voluntariamente de (algo); abster-se, abdicar, renunciar.
    "d. de uma luta, de suas ideias"


“Continue sempre, siga em frente, vença os obstáculos, seja um vencedor, não desista!”
É o que mais ouvimos não é?
“Tenha motivação!”
Está tudo dando errado (ou você acha que está) e isso te irrita? “Siga em frente mesmo assim!”, dizem.
Você está se sentindo uma fracassada, cansada e estressada? “É assim mesmo! Siga em frente!”
Vou ser sincera.
Essas frases motivacionais me deixam irritada. Aliás, me dão na paciência pra não dizer outra coisa.
Na maior parte das vezes, pra mim, esse tipo de discurso “pseudo positivo” e de motivação só me deixa ainda mais desmotivada, cansada, frustrada. Soa como mais uma cobrança no imenso mar de cobranças que eu tenho comigo mesma.
Eu começo a pensar “poxa, mas eu não quero fazer algo que é tão ruim assim, eu me sinto péssima.”; “se for pra ser assim toda vez eu prefiro nem começar”.

E realmente, não faz o menor sentido fazer algo que é tão desagradável.
É claro que na vida por vezes temos que fazer o que nos é desagradável, o ponto é que isso não se sustenta a longo prazo. Durante quanto tempo é a chave.
Nós só fazemos aquilo que gostamos a maior parte do tempo. E tudo bem, isso é saudável.
Dar o braço a torcer também é saudável. Saber admitir seus limites.
O ponto é que ninguém quer viver uma vida que é frequentemente cansativa e desagradável. Há que ser minimamente divertida, leve, positiva ou não aguentamos. Ficamos deprimidos, doentes.
 É da natureza humana.
Então esse discurso de ‘faça mesmo sendo horrível’ é a maior baboseira do mundo. Pode ser que pra UMA situação específica, de preferência que tenha um começo meio e fim muito marcado, isso dê certo.
Fazer algo desagradável como ir ao dentista pode ser suportável se for uma vez a cada 6 meses e durar 1h só. Pode ser.
Agora tente ir ao dentista toda semana e ficar 4h sentado fazendo todo tipo de procedimento. Eu teria um ataque de nervos.
Claro que o dentista é só um exemplo, mas a idéia é a mesma. Substitua ‘dentista’ por qualquer coisa que você verdadeiramente não goste de fazer como ir a academia, comer jiló, fazer relatório.
Você já teve alguma vez na sua vida que ficar 1 mês ou 2 meses, talvez até mais, todo dia ou 10 horas por semana fazendo algo que toda vez é chato?
Alou TCC pra quem se formou na faculdade. Não é a pior época das nossas vidas?
Mesmo quando você escolhe um tema que te agrada muito... Não dá.
Não sei vocês, mas eu detestei.
Conclusão dessa novela: O processo também tem que ser bom ou abrimos mão dos resultados, seja qual forem.
De novo, é da nossa natureza enquanto humanos.
Por isso que me dar a possibilidade de desistir me anima. Veja bem, eu não estou falando pra começar a fazer algo pensando já em tudo que pode dar errado, tirando o corpo fora, afinal, penso que se é pra fazer que seja pra dar certo!
Mas se dar a possibilidade de desistir caso seja necessário pode ser muito libertador.
No meu caso quando estou fazendo algo que é exigente, desagradável e me deixa frustrada eu penso: okay, vou fazer meu melhor! Vou tentar de verdade fazer isso dar certo, mas olha, se eu achar que preciso eu desisto. E me dou o direito de não fazer mais a menos que ache uma maneira de ser mais agradável.
A menos que consiga mudar o processo. E ai eu trabalho pra mudar. Mas enquanto não for minimamente agradável eu não faço de novo.
Pode ser que nem sempre isso seja possível, com certeza. As vezes no trabalho temos que fazer o que mandam mesmo sendo uma porcaria. E isso gera muito estresse.
Mas talvez haja algum espaço na sua vida pra você se permitir desistir. Será que não é hora de você se permitir desistir desse relacionamento capenga, desses amigos que não tem mais a ver com você, dessa busca absurda pelo corpo ‘ideal’ seja lá  o que isso for?
Me dar permissão pra desistir por si só já me dá uma paz maior. Eu me sinto mais animada pra trabalhar ou pra fazer o que quer que seja que esteja exigindo tanto de mim. Veja bem, de novo, o processo importa!
Preferimos colocar nossas energias no que parece bom, nem que seja a longo prazo, DESDE QUE o processo não seja muito desagrádavel.
Então, de novo, essa idéia de que podemos sacrificar nosso presente se o ganho futuro for grande o suficiente é muito relativa viu?
É por isso que desistimos muitas vezes, mesmo sabendo que deveríamos continuar. Por que o ‘um dia vai ser legal’ não é bom o bastante.
E sabe de uma coisa, tudo bem que seja assim. Não se sinta mal por não ‘ter dado conta’ de alguma coisa. Talvez não era pra ser mesmo.
Ou talvez só não seja a hora agora.

Resumindo:
Você tem seu tempo.
As vezes desistir pode ser maravilhoso.
Nem sempre seguir em frente apesar de tudo é o melhor caminho.
Cabe a você avaliar e decidir.
Cuidado com as pseudo-positivo-baboseira.
Dizer pra alguém em extremo sofrimento pra 'seguir em frente' mesmo assim é muito irresponsável.
Pode ser que você precise realmente mudar as circunstâncias da sua vida, pode ser que a mudança tenha que partir de dentro.
Se dê esse tempo pra decidir e caso precise de ajuda, não tenha vergonha de pedir.

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