quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Por que eu parei de ler revistas femininas


Na minha ééééépoca (okay, me senti com 60 anos a mais do que eu tenho)....
Peraí, deixa eu voltar.
Quando eu era adolescente, há uns 13 anos atrás, eu e minhas amigas e acho que todas as adolescentes que eu conhecia liam Capricho. Era tipo a bíblia pra garotas que não faziam a menor idéia do que fazer. Nela, se vocês lembram bem, tinham dicas de moda, de roupa e principalmente, falavam sobre meninos.
Eu sempre fui meio sonsa pra essas coisas, então calhou que essa revista me ajudou com algumas coisas. Mas além disso, era meio que um ritual. 
Chegava a revista, sentava o grupo de amigas e ficávamos a discutir, além de é claro, debater sobre quem era o integrante mais gato do backstreet boys.
Ah, a vergonha alheia. Hoje em dia não sinto a menor falta... mas eu vejo que muitas mulheres ainda parecem querer algum tipo de 'guia' e é isso que as revistas femininas fazem, cada uma a seu modo. 
  • Perca peso e tenha o corpo da atriz fulana que está na capa de revista
  • Como conquistar seu homem
  • Como manter seu homem
  • A dieta da moda
  • O cabelo da moda
  • Tenha o cabelo igual ao da Gisele com 1/5 dos gastos
  • Aprenda aqui dicas incríveis para... (insira aqui basicamente qualquer coisa)

Eu resumi agora basicamente toda revista feminina pelos próximos 10 anos, provavelmente. Se você parar pra analisar criticamente, vai ver que não sai muito disso.
Só mudam as dietas, o cabelo....
Só pra ilustrar o que estou dizendo vou contar um causo.
Uma vez eu fiz cauterização no meu cabelo porque disseram que ia ficar mais blá blá blá.
Beleza, fiz, paguei caro, ficou lindo e durou 1 semana.
Até aí tudo bem.
Isso faz alguns anos. Guardem essa informação.
Há pouco tempo atrás fui cortar o cabelo e estava conversando com o moço e minha mãe estava perguntando sobre um tratamento que ela fez pra reduzir frizz.
Prestem atenção na conversa.
Ele disse então "ah... isso é botox capilar, eu faço sim".
Mãe: "não não, é o tal do (não lembro agora qual o nome)
Moço: "Sim, é esse mesmo. É que é a mesma coisa. Antes era escova sem formol, depois virou escova de morango, agora é botox capilar. Mas é o mesmo produto, eles só mudam o nome".

Conclusão: é a mesma droga de produto de 5 anos atrás, eles só mudam o nome pra dizer que inventaram algo novo com pouquíssima diferença e cobrar mais caro.
Palhaçada né?

Voltando ao assunto....

Não sei bem porque buscamos desesperamente guias ainda, mas eu parei de vez de ler esse tipo de revista faz anos.
Cheguei a brilhante conclusão de que não tinha nada ali interessante pra mim, além de serem caras, vamos combinar.
Atualmente, pouca gente compra revista física, nós lemos online ou seguimos o instagram de alguma pseudo-famosa ( o que dá quase no mesmo, sinceramente).
Mas a base está lá. É a comparação incessante com um modelo pronto e photoshopado, disponível para todas se ao menos nós gastássamos 300 milhões de reais todo mês.
Okay, exageros a parte, custa caro ter o cabelo Gisele, o corpo fulana-de-tal... 
A indústria de beleza gera coisa de não sei quantos BILHÕES de reais.
Vou repetir pra você cair da cadeira tá.
BILHÕES.
Você sabe quanto é isso? Eu não consigo nem imaginar essa quantidade de dinheiro.
E ela se move com base nas nossas inseguranças. Não é a toa que toda revista inventa agora um treco novo pra gente consertar, pode reparar.
Resumindo, eu parei de ler revistas femininas pela minha sanidade mental.
Com isso não digo pra você desistir da vida e ir morar em alguma aldeia indígena (a menos que queira, é claro, aí eu acho super válido) mas simplesmente pensar no que você consome e por que.
Vamos parar de achar que precisamos 'consertar' algo a nosso respeito.
A única coisa que se tem que consertar é caráter, de resto, é opcional.

Tente fazer um detox desse tipo de coisa e me conta depois o resultado.
(Perfil fitness-deusa-do-whey, perfil de dieta, perfil de moda, de fofoca, revista feminina.... )



Sobre os sei lá quantos bilhões seguem aqui as informações:
http://brasilamericaeconomia.com.br/2016/06/01/mercado-da-beleza-rompe-serie-de-crescimento-de-mais-de-2-decadas/

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