quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O mito da vida resolvida




Quando será que vou chegar em casa, sentar na poltrona e calmamente olhar com orgulho reflexiva sobre as minhas escolhas e sentir como se estivesse tudo resolvido?
Quando vou chegar lá? Na felicidade, no sucesso, na plenitude de ter a vida resolvida?
Se você já se fez essa pergunta ou já se recriminou por ter 24, 25, 26,28,30,40 anos e não ter chegado “lá”, esse texto é pra você.
Falando agora sobre mim, eu tinha essa ilusão que quando me formasse na faculdade minha vida estaria resolvida. Eu ia saber o que fazer, ia ter uma carreira, profissão delineada e um plano pra seguir. Mais uns anos, quando chegasse aos 30, essa idade mágica, eu ia com certeza ter realizado metade das coisas que imaginava, no mínimo. Casa própria, viagem, promoções. Eu visualizava a certeza e a segurança. Esse era o meu lá.
Pode ser que o seu “lá” signifique maternidade, casamento, carreira, carro, um relacionamento estável, viajar todo ano. Eu não sei bem, mas posso te dizer que a maioria de nós alimenta essa expectativa mágica e que geralmente está vinculada a idade. Pode ser que os 25 seja a sua idade mágica, pode ser os 30.
Enquanto mulheres, ainda nos é cobrado “tem que casar até uma certa idade senão vira titia”, “e os filhos?” e etc. De novo, essas cobranças estão vinculadas a idéia de que o valor da mulher está na juventude que por sua vez está ligada a capacidade de atrair um homem e de ter filhos. E vamos combinar que isso é a maior besteira do mundo. Não existe “idade” ideal pra ter sucesso, isso vai depender de muitas coisas, inclusive da sorte.
Bem, no meu caso, quanto ao meu lugar ideal de sucesso, te digo, que eu cai de cabeça. Os 30 não chegaram ainda mas estão chegando e estou longe do “ideal” que projetei. Eu estou por definição me sentindo perdida na vida. Pior que peru tonto.
Digo que ainda que escolher uma faculdade e terminar foi um suplício. Tudo que podia acontecer aconteceu e eu tive várias dificuldades, mas eu me foquei em estudar e me dediquei integralmente a isso. Eu ficava por conta do meu curso, basicamente. Me estressei muito, me irritei muito e perdi um pouco a minha disposição de conviver com seres humanos (o que é curioso já que eu sou psicóloga, mas acontece) mas consegui. Me formei.
E ai veio a grande pergunta: minha deusa, o que eu faço da vida agora?
O caminho pavimentado nem sempre interessa a todos foi o que eu percebi. As oportunidades e os caminhos que eu via que já foram percorridos não me interessaram muito então coube criar algo novo. Aliás, foi o que sobrou. Afinal, se eu não gosto das opções que vejo e não encontro alternativas, preciso criar uma. E criar algo novo está bem longe de ‘ter a vida resolvida’ por sinal.
Engraçado as expectativas que criamos sobre o sucesso. Sobre como a vida vai se desenrolar não é mesmo?
Eu estou aqui hoje pra dizer, essas expectativas são pura balela. Não leve muito a sério. Na verdade, pense como um guia. Ao invés de dizer pra si mesma que você precisa ter x ou y até tal idade ou tal momento da vida, diga “eu gostaria de estar nessa situação mas se não estiver tudo bem”.
A gente precisa entender que viver é ajustar as velas constantemente dependendo do vento que sopra.
E a vida é um grande oceano, as vezes é calmo, as vezes vem uma tsunami e nos engole.

E com isso quero dizer, tudo bem se você mudar de idéia quanto ao seu lugar ideal, tudo bem se falhar e tudo bem se você conseguir e perceber que não era tudo isso que imaginava. Faz parte. 

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